Empresas juniores: oportunidades para estudantes vivenciarem o mercado de trabalho

18/09/2017


Empresas juniores: oportunidades para estudantes vivenciarem o mercado de trabalho

Confira como elas são constituídas, quais as exigências e como funcionam as empresas juniores de engenharia. Veja os exemplos da UFPR, UTFPR, UEL e UEM


Formada exclusivamente por alunos que estão cursando uma graduação em Instituição de Ensino Superior, uma empresa júnior é uma associação civil sem fins lucrativos, mas com fins educacionais. Os alunos que participam das empresas juniores (EJs) se unem para realizar projetos, serviços e consultorias relacionados à sua área de formação. Eles têm a oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional por meio da vivência empresarial.

As atividades realizadas pelos alunos devem ser acompanhadas por um professor ou representante da instituição de ensino, responsável pela orientação e correta execução do que é desenvolvido. “Assim os alunos podem se desenvolver profissionalmente, não só na sua área de formação, mas também com a relação de fornecedor e cliente, fomentando o perfil empresarial”, explica o eng. civil Diogo Artur Tocacelli Colella, gerente do Departamento de Fiscalização (Defis) do Crea-PR.

Os serviços oferecidos por essas empresas possuem um custo mais baixo, mas a mesma qualidade em relação ao mercado. Elas podem cobrar pela elaboração de projetos e pela prestação de serviços e esses ganhos são investidos na formação dos estudantes e na estrutura da EJ. O atendimento de clientes acontece da mesma forma que nas empresas convencionais, porém, a empresa júnior se torna uma opção acessível aos micro e pequenos empresários, por exemplo, contribuindo para o desenvolvimento do país e impulsionando a formação de profissionais capacitados, comprometidos e empreendedores. Mas algumas atendem também grandes empresas.


Registro e Legislação 

No Brasil, as EJs são regulamentadas pela recente Lei n.º 13.267, de 2016. Mas, na área de Engenharia, conforme a legislação prevê, para que os estudantes atuem é necessário que seja indicado um profissional responsável pela empres, registrado no Crea-PR. “Considerando empresas que desenvolvam atividades afetas ao Sistema Confea/Crea, conforme estabelece o art. 59 da Lei n.º 5.194/1966, e considerando que as empresas juniores prestam serviço remunerado à sociedade –  embora não tenham fins lucrativos –, elas devem ter registro no Crea-PR para poder atuar, apresentando o professor ou orientador como Responsável Técnico EJ. No caso de dúvida se, dentre as atividades, estão aquelas restritas ao Sistema, indicamos que os responsáveis formalizem este questionamento junto ao Crea, via protocolo”, orienta o gerente do Defis.

A regulamentação junto ao Conselho possibilita promover a cultura de trabalho de forma legalizada. Além de apresentar o Responsável Técnico da empresa júnior, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de cargo e função, a empresa deve proceder seu registro no Conselho, ressalta Diogo. A ART é um instrumento legal instituído pela Lei n.º 6.496/77, necessário à fiscalização das atividades técnico-profissionais nos diversos empreendimentos sociais, caracterizando legalmente os direitos e obrigações entre profissionais e usuários de seus serviços técnicos, além de determinar a responsabilidade profissional por eventuais defeitos ou erros técnicos. Ela também permite identificar se a obra ou serviço está sendo realizada por um profissional habilitado e que engenheiros, agrônomos, geólogos, meteorologistas, geógrafos, tecnólogos e técnicos de grau médio e profissões afins registrem, mediante a sua emissão, contratos profissionais junto ao Conselho Regional de Engenharia da jurisdição onde os serviços estão sendo (ou serão) executados. 

 Sendo assim, as empresas juniores devem registrar as ARTs referentes às atividades realizadas para seus clientes. Segundo Diogo, “a Anotação é registrada por meio eletrônico, no site do Crea-PR, onde devem ser declarados os dados principais de contrato firmado entre a empresa e seu contratante para execução de uma obra ou prestação de um serviço. Ela consiste numa súmula que fica registrada no Crea”. A prestação de serviços pela empresa júnior sem o devido registro no Crea-PR, sem o registro de seu Responsável Técnico e sem a ART pelos serviços prestados pode ser punida perante a lei. 

“A falta de registro da pessoa jurídica é penalidade prevista e fundamentada na Lei Federal n.º 5.194/66 (vide artigos 59 e 73, alínea C), na Resolução 1066/2015 e na Decisão Plenária do Confea n.º 2.041/2015”, indica o gerente da Regional Maringá do Crea-PR, engenheiro civil Hélio Xavier da Silva Filho. Ele também esclarece que “além do cumprimento da legalidade, a experiência de mercado com o devido registro da pessoa jurídica se torna completa e real com este ato compulsório de vinculação com o Conselho”. Vale reforçar que a empresa júnior é compreendida como uma pessoa jurídica no ambiente profissional e que, neste sentido, deve seguir obrigatoriamente os artigos 59 e 60 da Lei Federal n.º 5.194/66. É importante destacar que os estudantes que participam da EJ exercem trabalho voluntário e toda a renda originada pelos serviços prestados é revertida em capacitação aos participantes por meio de palestras, cursos e outras atividades acadêmicas. 

Representatividade 

A Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior) é a representante nacional das empresas juniores. E a Federação das Empresas Juniores do Estado do Paraná (Fejepar) é a representante estadual das EJs não somente na Engenharia, Agronomia e Geociências, mas em todas as áreas de atuação.

Segundo o presidente da Fejepar Mateus Arruda, é importante que a empresa júnior esteja registrada no Crea-PR por três questões principais. “A primeira é a regularização conforme a Lei n.º 13.267/2016, que disciplina a criação e a organização das associações denominadas empresas juniores, com funcionamento perante instituições de ensino superior. A segunda é que, como a empresa júnior trabalha com a formação, é importante que esse profissional que está sendo formado já tenha contato com o Conselho de sua categoria e saiba como funciona o registro e a fiscalização. E a terceira questão é que o registro no Crea-PR assegura que a empresa júnior preste um serviço de qualidade, assim como as demais empresas convencionais. O registro é uma força a mais para a empresa júnior oferecer seus serviços”, explana.

Mateus explica ainda que “com a aprovação da lei em 2016, a Fejepar está trabalhando para formalizar uma parceria institucional com o Crea-PR, planejando as etapas de orientação às empresas juniores sobre toda a questão de legislação e registro”. Já existe um projeto na Federação em que as empresas devem enviar uma série de documentos para sua validação e a intenção é incluir o registro no Conselho. Outro ponto significativo para o bom desempenho das empresas juniores é o apoio dos professores. Com a aprovação da lei, “diversas universidades transformaram as empresas juniores em projetos de extensão, inserindo desta forma os professores como orientadores, melhorando o apoio e o relacionamento deles com os alunos, o que é necessário para o funcionamento da EJ, que precisa da assessoria técnica”, diz.

Lei n.º 13.267/2016: “Disciplina a criação e a organização das associações denominadas empresas juniores, com funcionamento perante instituições de ensino superior”.


Saiba mais sobre Empresas Juniores de Engenharia no Paraná

Há dezenas de empresas juniores das áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências em atividade e distribuídas em diferentes cidades do Paraná, porém, apenas quatro estão registradas no Crea-PR. Conversamos com os responsáveis técnicos e alunos presidentes das empresas, confira mais detalhes de cada uma a seguir:

Há dezenas de empresas juniores das áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências em atividade e distribuídas em diferentes cidades do Paraná, porém, apenas quatro estão registradas no Crea-PR. Conversamos com os responsáveis técnicos e alunos presidentes das empresas, confira mais detalhes de cada uma a seguir:

• EMJEL Empresa Júnior de Assessoria em Eletro-eletrônica – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

 A EJ do curso de Engenharia Elétrica da UFPR chama-se EMJEL - Empresa Júnior de Assessoria em Eletro-eletrônica e foi fundada em 14 de maio de 1993, sendo a mais antiga do estado. A ideia naquele momento, segundo Mauro Obladen de Lara Filho, diretor-presidente, foi de estudantes determinados a adquirir conhecimento na prática antes do término da graduação ou do estágio obrigatório. E ela segue bastante atual. Participam alunos do curso de ambos os períodos (diurno e noturno), desde calouros até concluintes. O professor orientador e Responsável Técnico é o conselheiro do Crea-PR, engenheiro eletricista Tibiriçá Krüger Moreira.

 “Fui um dos professores apoiadores da fundação da empresa em 1993 e, até hoje apoio a iniciativa, me colocando como responsável técnico dos projetos via ART de cargo e função, e viabilizando a emissão de ARTs para todos os projetos da empresa júnior, garantindo o cumprimento da regulamentação”, garante Tibiriçá. Há também um importante respaldo da Universidade que cede espaço de trabalho, o apoio do Departamento de Engenharia Elétrica nos projetos e professores que regularmente auxiliam na execução dos mesmos.  Os projetos da EJ da UFPR são de instalações elétricas residenciais, comerciais e industriais, desenvolvimento de tecnologia em eletrônica, eficiência energética e projetos de micro e minigeração renovável distribuída. A EMJEL já atingiu 180% da meta de projetos e 585% da meta de faturamento em 2017.  

 A EMJEL se encontra hoje 100% regularizada e sua principal conquista foi obter, neste ano, o título de Empresa Júnior de Alto Crescimento, emitido pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior) para as EJs que obtêm o número de projetos e o faturamento estipulado, calculado com uma base de crescimento de aproximadamente 20% ao ano. Esse Selo Empresa Júnior emitido pela Brasil Júnior audita um total de 14 documentos obrigatórios, desde o estatuto social da empresa, até documentos como certidões negativas de débitos, conforme a Lei n.º 13.267/16.  

 “Participar da EMJEL e do Movimento Empresa Júnior mostrou-se como o complemento perfeito para a graduação, possibilitando a aplicação dos conhecimentos adquiridos em sala de aula em soluções reais de mercado, gerando grande impacto em nossos clientes, além da obtenção de uma grande bagagem em gestão empresarial e empreendedorismo, qualidades muito demandadas no engenheiro moderno. Após dois anos e meio na EMJEL, acredito sem sombra de dúvidas que a empresa júnior forma os profissionais mais preparados e capacitados para o mercado da Engenharia e de todas as outras áreas”, testemunha o diretor-presidente. 

• Projr – Universidade Técnica Federal do Paraná (UTFPR), Campus Pato Branco

A Projr Empresa Júnior de Engenharia Civil atua em projetos arquitetônicos, hidrossanitários, elétricos, levantamentos topográficos, consultoria em patologias e na prevenção de incêndios. Criada em 2010, foi a primeira empresa júnior a realizar o registro no Crea-PR, em 2014. A empresa promove palestras, cursos, campanhas sociais e presta serviços voltados para a área de responsabilidade social participando do programa Casa Fácil, que visa clientes de baixa renda. Seus membros são exclusivamente acadêmicos da UTFPR-PB que aprimoram a cada dia seus conhecimentos na área de engenharia civil e também no âmbito empresarial. O desenvolvimento dos projetos conta com o auxílio do professor orientador engenheiro civil Volmir Sabbi, assim como de outros professores que contribuem com conhecimentos específicos. 

O diretor-presidente Bruno Tomazetto afirma que para a Projr o registro no Conselho é muito importante. “Fomos a primeira EJ no Brasil a ter esse registro e hoje somos consultados por várias outras empresas juniores como exemplo”, conta. Ele garante que, para prestar os serviços que estão realizando hoje, o registro e a adequação à lei foram fundamentais, pois algumas EJs deixam de oferecer serviços aos clientes porque não estão regularizadas, o que trava o desenvolvimento da empresa e de seus membros. "Participar da empresa júnior é importante para a formação, para aprender sobre liderança e se preparar para o mercado de trabalho”, segundo o diretor, que também aponta como fundamental o apoio dos professores, “pois algumas empresas nem saem do papel por falta deste apoio e nós estamos bem orientados”, diz.

• Parthenon Empresa Junior – Universidade Estadual de Maringá (UEM), Campus Umuarama 

Fundada em 23 de agosto de 2013 por um grupo de alunos do curso de Engenharia Civil da UEM no Campus Umuarama, a Parthenon Empresa Júnior de Engenharia Civil possui o intuito de oferecer à comunidade serviços de qualidade na área da construção civil, auxiliando no desenvolvimento urbano e ao mesmo tempo na capacitação dos acadêmicos. Ela conta com o apoio da Universidade e de seus professores, e trabalha com projetos arquitetônicos, elétricos, hidrossanitários e de prevenção de incêndio. Além disso, os acadêmicos desenvolvem projetos com preços mais acessíveis, seguindo todos os padrões exigidos pelo Crea-PR.

Segundo o diretor-presidente Leonardo Pierette, hoje a empresa conta com uma equipe de 35 pessoas e o registro no Crea-PR foi feito em 2016. “Na época, era diretor da área de projetos e vários serviços que a empresa gostaria de oferecer precisavam da emissão de ART como, por exemplo, projeto arquitetônico. Além disso, a empresa precisava de seguridade fiscal e de maior credibilidade perante os clientes, que ficavam receosos em contratar universitários. Agora, com o respaldo da Universidade e o registro no Conselho, a Parthenon tem maior credibilidade junto aos clientes e isso já aumentou nossa demanda”, comenta. Ano passado a empresa entregou seis projetos arquitetônicos e neste ano já foram 12 até o momento, batendo a meta estipulada para 2017. “Recebemos o título de Alto Crescimento concedido pela Fejepar”, conta o diretor orgulhoso. Esta é a terceira empresa júnior paranaense a recebê-lo.

Após o registro no Crea-PR, a demanda de trabalho aumentou bastante também para o responsável técnico pela Parthenon. O professor engenheiro civil Guilherme Perosso Alves está no posto desde 2015, ano em que entrou na UEM. “Participei de todo o processo de registro e sempre tive um contato próximo com os alunos, por isso, decidi apoiá-los como orientador. A partir daí outros professores também passaram a participar como consultores da EJ, auxiliando na orientação de diferentes projetos, principalmente agora que a demanda de trabalho da empresa está aumentando”, conta. Antes de obter o registro, ele explica que os membros da Parthenon fizeram um trabalho de desenvolvimento interno dos integrantes em todos os setores da empresa. Assim, quando veio a regularização eles estavam mais preparados para as oportunidades de trabalho. “Tenho um olhar especial para os alunos que voltam seu conhecimento para o mercado de trabalho, eles utilizam a experiência dos professores como plataforma de conhecimento para o mercado que irão enfrentar. Além disso, com a grade curricular integral, não poderiam fazer estágio fora da Universidade e a empresa júnior é uma oportunidade”, afirma Guilherme.

A Parthenon é uma empresa estruturada que funciona como uma empresa convencional e oferece conhecimentos multidisciplinares que farão diferença no perfil profissional dos estudantes que a integram. A dinâmica da relação entre os alunos e professores também melhora o clima em todo o Campus. Segundo o professor, esses alunos acompanham melhor também as disciplinas curriculares.

• TCP Engenharia Civil – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

A TCP Engenharia Civil foi fundada em maio de 2005 por alunos do 3.º, 4.º e 5.º anos da graduação. A sigla que dá nome à empresa significa Tecnologia, Consultoria e Projetos e o objetivo de sua criação foi o aprendizado e a capacitação dos graduandos em Engenharia Civil da UEL, no âmbito empresarial e acadêmico, proporcionando o crescimento pessoal e profissional dos integrantes, em equilíbrio com o desenvolvimento da sociedade. A TCP presta serviços de projetos arquitetônicos de até 100m², projetos de adaptação de acessibilidade, consultoria, maquetes virtuais (3D), levantamento topográfico, eventos acadêmicos, cursos relacionados à Engenharia, As Built e análise de patologias em edificações. 

O registro no Crea-PR foi realizado este ano. O diretor-presidente Luiz Gustavo Gonçalves da Costa entrou na empresa em 2015 e conta que “desde aquela época as lideranças da empresa já direcionavam esforços para realizar o registro, inspirados na Projr de Pato Branco, pois assim poderiam explorar novas áreas, regularizados e com a segurança jurídica do órgão de classe”. Para ele, o registro mostra que “o trabalho da EJ é algo sério. Somos estudantes, mas prestamos um serviço de qualidade”, garante. Com o registro, a variedade de serviços que podem ser prestados pela empresa aumentou. 

O diretor também destaca o apoio dos professores. “É fundamental, pois todos os membros são estudantes e recorremos a eles o tempo todo para orientações. Eles estão bem receptivos aos alunos, a EJ tem uma boa imagem com este público”, diz. O professor responsável pela empresa, engenheiro civil Jorge Bounassar Filho, observa que “a empresa agora passa a ser regular do ponto de vista profissional perante o Conselho, e dentro dos objetivos pode atuar profissionalmente. Participar da empresa júnior é uma experiência interessante na formação, agora os alunos têm a possibilidade de ter uma atuação profissional durante o curso, com potencial para desenvolver diversos tipos de projetos”.





Comentários

Os campos com * são obrigatórios
Não será divulgado

Seja o primeiro a comentar