Instituto Agronômico do Paraná comemora 45 anos

18/09/2017


Instituto Agronômico do Paraná comemora 45 anos

O dia 29 de junho marcou a fundação do Iapar com comemorações e acontecem diversas atividades em 2017 tanto na sede, em Londrina, quanto nas unidades por todo o estado


Criado em 1972, o Iapar completou 45 anos e preparou eventos técnicos e institucionais para marcar a data. Vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Instituto é o órgão de pesquisa que dá embasamento tecnológico às políticas públicas de desenvolvimento rural do estado do Paraná. 

Florindo Dalberto, diretor-presidente da instituição, conta que a criação do Iapar resultou da mobilização e esforço de produtores, técnicos e lideranças políticas e empresariais ligadas à agricultura, como a Sociedade Rural do Paraná, Folha Rural, Associação dos Engenheiros Agrônomos, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR) e nomes como Celso Garcia Cid, João Milanez, Horácio Coimbra, Francisco Sciarra, entre outros. 

Funcionário do Instituto Brasileiro do Café (IBC) na época, Dalberto participou ativamente dessa mobilização. “Já fermentava no ambiente produtivo a percepção que o ciclo da monocultura cafeeira estava se esgotando e que era necessário modernizar e diversificar a agropecuária paranaense”, ele lembra. O projeto de instalação de um centro paranaense de pesquisa agropecuária foi viabilizado com recursos do Estado, da Organização Internacional do Café (OIC) e do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC).

Estrutura – Depois de mais de quatro décadas de atuação, o órgão segue cumprindo sua missão de prover soluções inovadoras para o meio rural e o agronegócio do Paraná com uma estrutura que abrange todo o estado e 15 programas temáticos de pesquisa em desenvolvimento hoje. Com sede em Londrina, possui cinco pólos regionais de pesquisa (Curitiba, Ponta Grossa, Paranavaí, Pato Branco e Santa Tereza do Oeste), 19 fazendas experimentais e 18 estações agrometeorológicas (que utilizam dados coletados por 37 estações do Sistema Meteorológico do Paraná - Simepar).

O Iapar atua hoje em 15 programas temáticos de pesquisa nas áreas de agroecologia, café, cereais de inverno, cultivos florestais, energias renováveis, feijão, fruticultura, gestão da inovação, integração lavoura-pecuária, milho, pecuária de leite e de corte, propagação vegetal, raízes e tubérculos, recursos naturais e sistemas de produção.

Na sede, em Londrina, há também um centro de treinamento, equipado com auditório e alojamento. Ao todo, o Iapar conta hoje com cerca de 600 funcionários, entre pesquisadores – a maioria com doutorado e pós-doutorado – e pessoal de apoio técnico. Somam-se ainda 500 colaboradores temporários (pesquisadores voluntários, bolsistas, estagiários, trabalhadores terceirizados etc). Os pesquisadores conduzem 230 projetos aglutinados dos programas de pesquisa, totalizando 690 ensaios de campo executados em estações experimentais próprias e em áreas de cooperativas, universidades, centros de pesquisa e outros parceiros.

Segundo Dionísio Luiz Pisa Gazziero, conselheiro do Crea-PR e pesquisador da Embrapa, “falar sobre o Iapar é falar de uma instituição reconhecida nacional e internacionalmente como uma referência em agropecuária. Sua contribuição no desenvolvimento de cultivares de trigo e outros cereais de inverno, feijão, arroz e frutíferas – entre outras espécies – ajudou não só a tornar o Paraná um importante estado produtor, mas também um fortíssimo aliado na construção do agronegócio no Brasil”. Gazziero destaca ainda a parceria do Instituto com o Ministério da Agricultura que resultou na produção paranaense de café de qualidade, o que tem permitido manter essa cultura no estado e gerar renda para os produtores.


Compromisso e desafios 

As tecnologias do Iapar se distinguem pelo rigor científico e um profundo respeito à realidade dos agricultores e ao ambiente, sem perder de vista as exigências dos consumidores e necessidades da agroindústria. Dalberto aponta a inovação permanente, em colaboração com parceiros do setor público e da iniciativa privada como o desafio que se apresenta para o Instituto. Segundo ele, o setor agropecuário vai ser cada vez mais demandado a produzir utilizando processos que poupem os recursos naturais e racionalizem o uso de insumos. “A população exige alimentos seguros, saudáveis e nutritivos, e isso tem reflexos na geração e transferência de tecnologias”, comenta.

Parceria com o Crea-PR 

Visando tais desafios e seguindo com os trabalhos nesse sentido, um programa integrado de conservação de solos do Conselho vai treinar dois mil técnicos, com o apoio do Iapar, em todo o Paraná, destaca Nilson Cardoso, presidente em exercício do Crea-PR. A relação entre as entidades é de longa data, tanto é que o Instituto é um dos homenageados do Sistema Confea/Crea este ano. Cardoso lista como principais diferenciais do Iapar a sua presença em todo o estado e sua contribuição nestes 45 anos para o aumento da produtividade em variados setores. “Neste período com os pesquisadores graduados, doutores, com certeza o órgão foi um grande contribuinte do desenvolvimento do agronegócio paranaense, trazendo novas tecnologias ao produtor”, salienta. 

Pioneirismo – Todos os profissionais procurados pela reportagem acreditam que a atuação do Iapar é marcada pelo arrojo em várias frentes, e os exemplos são abundantes. O diretor-presidente citou o desenvolvimento de cultivares de maçã para regiões de inverno ameno, caso do norte do Paraná. Esses materiais – IAPAR Eva e IAPAR Julieta – são hoje cultivadas em todos os estados do sul do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e até Bahia. E o Iapar saiu na frente também em relação aos citros, por meio de estudos que possibilitaram o plantio dessas frutas e a inserção do Paraná no mapa da produção nacional de frutas cítricas.

Já Nilson Cardoso, presidente  em exercício do Crea-PR, vê o pioneirismo na coordenação de uma série de programas na área de sementes, e nos pólos regionais e estações experimentais, trabalhando com diversas culturas e desenvolvendo novos produtos para o mercado (mandioca, variedades mais produtivas). 

E Gazziero aponta as pesquisas precursoras do Instituto “sobre sistemas integrados e em plantio direto, um sistema conservacionista atualmente adotado em mais de 30 milhões de hectares no Brasil”. Dalberto completa lembrando que “a Instituição mal iniciara suas operações, no início da década de 1970, quando os pesquisadores enfrentaram o problema da erosão que devastava propriedades agrícolas, rios e córregos paranaenses. Com abordagem em microbacias, os pesquisadores desenvolveram e adaptaram métodos de terraceamento e cultivo mínimo que possibilitaram recuperar milhares de hectares de solo cultivado”. Tais medidas inspiraram projetos similares em outras regiões brasileiras e também na América Latina e na África. 

Produtos ‘made in Paraná’ – Três resultados desenvolvidos pelo Iapar são os mais lembrados por quem conhece de perto o trabalho: uma raça genuinamente paranaense, uma variedade de feijão resistente a diversas doenças e uma nova cultivar de café que será oficialmente entregue aos produtores e soma-se às mais de 200 cultivares desenvolvidas nas últimas décadas pelos especialistas em melhoramento genético vegetal da Instituição. Confira mais detalhes desses produtos que são verdadeiros orgulhos para a nossa região:

Tanto Dalberto como Gazziero destacam o desenvolvimento de uma raça precoce e com alto rendimento, como resultado do cruzamento de quatro outras raças (Aberdeen Angus, Canchim, Caracu e Charolês). Ou seja, o Iapar criou a primeira raça paranaense – e também a primeira no Brasil originada em um centro estadual de pesquisa – o Purunã. Segundo o diretor-presidente, as pesquisas para esse feito foram iniciadas em 1985, visando um animal capaz de produzir carcaças de elevado padrão, com baixo custo e que ficassem prontas para abate em pouco tempo.

Outro exemplo lembrado por Cardoso e explicado por Dalberto é o feijão carioca IPR Celeiro, a primeira cultivar comercial, não transgênica, comprovadamente tolerante ao grande mosaico dourado, uma das principais doenças da cultura, que causa prejuízos significativos em lavouras de todo o Brasil. 

O IPR 106 é uma nova cultivar de café que se destaca pela resistência aos principais nematoides – pequenos vermes que se alojam nas raízes das plantas – dos cafeeiros, responsáveis por inviabilizar a cafeicultura em diversas regiões do Brasil. Ainda na área da produção cafeeira, Dalberto registra que a equipe do Iapar trabalhou no sequenciamento do genoma da planta, em parceria com entidades nacionais e internacionais, e atualmente estuda o mecanismo de formação dos frutos em busca de obter grãos que possibilitem a bebida com características diferenciadas de aroma, corpo, sabor e acidez.

Mestrado

Começou a operar em 2013 o mestrado em Agricultura Conservacionista, cuja grade curricular privilegia a produção ambientalmente sustentável e, de fato, formalizou um trabalho já amadurecido. Uma recente conquista que ilustra como, em toda a sua história, o Iapar acolheu estudantes de iniciação científica e alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

comemorações

Aconteceu uma programação especial do Instituto Agronômico do Paraná para celebrar seu 45.º aniversário: a Jornada Tecnológica da Cafeicultura do Futuro, o II Seminário Paranaense de Agroinovação, a reunião do Conselho de Administração e uma solenidade comemorativa, com diplomação de alunos do Mestrado da instituição, lançamento da revista IAPAR 45 ANOS e entrega do troféu “Amigos do IAPAR” a personalidades que tiveram passagens marcantes pelo Instituto.

A reunião de 29 de junho foi a primeira do ano do Conselho de Administração do Iapar e o principal tema da pauta foi o lançamento da Política de Inovação do Iapar, além da discussão sobre a conjuntura do Instituto, especialmente a necessidade premente de reposição de quadros em fase de aposentadoria. O Conselho congrega as principais instituições do segmento agropecuário paranaense que são a Federação da Agricultura (Faep), Federação das Indústrias (Fiep), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaep), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Associação de Produtores de Sementes (Apasem), Sociedade Rural do Paraná (SRP), Secretarias de Estado da Agricultura (Seab), da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), do Planejamento e Coordenação Geral (SEPL), entre outras.


O Iapar é integrante do sistema brasileiro de pesquisa agropecuário, coordenado pela Embrapa. Suas pesquisas têm orientado e ajudado nossos agricultores a produzirem alimentos saudáveis e seguros.

Dionísio Luiz Pisa Gazziero, conselheiro do Crea-PR e pesquisador da Embrapa


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